sábado, 26 de agosto de 2017

(Pássaros Noturnos)


Pássaros Noturnos

Eles voam à meia-noite porque não são contemplados 
Como aqueles que cantam ao meio-dia
Pássaros que voam alto mesmo sentindo as dores de suas quedas

Pássaros guiados por uma luz na qual só podem enxergar no cair da noite
Este é um mundo de pássaros que renascem todas as noites e morrem
Todos os dias

Se suas vidas enlouqueceram para o mundo
E suas almas se tornaram sujas e amargas 
O que o mundo têm de doce na história ?

Há asas que necessitamos cortá-las 
Quando a liberdade que seguíamos não é mais uma verdade
E quando as mentiras que sustentávamos não deduzem mais sermos felizes

Pássaros que seguiram seus corações 
Nunca se arrependeram da dor que sofreram
Pois, é dela que encontraram suas grandes defesas 

Há muitos pássaros querendo ser ouvidos
Há muitos pássaros perdidos e precisando de um lar
Mas são poucos que ainda estão vivos para dizer isso pessoalmente para você

Como podemos ver o que tem lá fora
Se estamos todos dentro de uma gaiola 
Esperando o momento de morrer ?

É inevitável tudo o que sentimos
Toda vontade de amar infinitamente
Porém, nos sentimos tão vazios para doar o pouco que ainda temos.

No fim, estaremos todos a nos perguntar:
Que tipo de pássaro eu sou ?
Que tipo de pássaro eu me tornei ?

Voe de dia
Ou voe a noite
Mas nunca deixe de voar



Daylon Aires - 26/08/2017
Vídeo porta bandeira: https://www.youtube.com/watch?v=WbN0nX61rIs







quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

(Flor que não se cheira)

Flor que não se Cheira

Existia um vale que habitavam 7 mil flores
Ambas muito idênticas por competirem entre si

Desde muito cedo, cada uma sabia a sua missão no vale
A morte de cada flor era diferente uma da outra
Pois, enquanto umas abriam suas pétalas durante o dia
Outras morriam perante a noite

Estava traçado o fim de uma flor
Mas, diferente das outras ela não chorou
E antes de morrer, perante a morte indagou:
"É justo tirar a vida de uma flor que não conheceu o amor ?"

E surpreendida com a audácia da flor
A morte respondeu:
"Te darei a chance de conhecer o amor, mas em troca, me darás sua dor".

E assim a morte a levou até o deserto
E a deixou

A flor procurou e procurou por séculos mas,não encontrou
E preenchida pela loucura e dor em um cacto se transformou

E diante o vazio ela gritou:
"Eu prefiro a morte do que ser essa aberração!"

Da areia do caos a morte ressurge provida de suas palavras
E suspira em tom calmo e sucinto:

"Do amor nasce a loucura 
E loucos se tornam aqueles que não sabem lidar com ela".

Mal sabia a flor que o amor na qual tanto procurava
Estava esperando ela, antes de morrer
E por querer conhecer tanto o amor
Não percebeu o quanto foi amada

Há caminhos que exigem mudanças em nossos desertos
Mas mudar nem sempre é a solução
É uma consequência

E assim como a flor ainda procuramos
E assim como a flor nos perdemos
E assim como a flor nos rebelamos


Trilha sonora para ler a prosa:Dead Boy's Poem - Nightwish










quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

(Palácios que um dia habitei)

Palácios que um dia habitei


Eram majestosos e erguidos em lápides
Desajustadas pelo tempo
A cor se perdia no vão das minhas palavras
O brilho me cegavam os olhos.

Mas, como surgiram ? Não me recordo
Sempre estive martelando as paredes daqueles palácios
Se antes era convidado para os cerimoniais
Agora sou prisioneiro de suas celas.

Se isto é ser príncipe e nobre
O que é ser um espírito sobrevivente do seu passado ?

Você me prometeu que este palácio
Não bombeava apenas sangue
E não era como os outros monumentos.

Sobretudo, este é o fim dos tempos perdidos
Quando duvidei que não poderia ser rei 
Do meu próprio coração.

Sinta não só por você,mas por mim
Sei que é difícil,afinal como podemos sentir a dor de alguém
Quando somos o causador dela.

Eles entregaram suas almas e descobriram que era mergulhando
Nos corações mais indomáveis que não era possível sair
Sem sequelas.

E assim como os garimpeiros não descobrirei
Pedras preciosas e ouro em grandes cidades
Mas sim em lugares desprovidos de gente.

Não erguerei muros, não queimarei meu jardim 
E acima de tudo o amor que ergueu meu palácio
Será o mesmo a torná-lo cinzas novamente.

Os palácios são todos os corações que habitei
Todo sonho que deixei
Todo medo que reviveu dentro de mim.

Agora serei meu rei
Um rei que necessita destruir o próprio palácio
Um palácio que se tornou cela para aqueles que adentram.


Daylon Aires 
08/12/2016
Trilha sonora para ler a prosa: Campo Minado - Jessé