quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

(Flor que não se cheira)

Flor que não se Cheira

Existia um vale que habitavam 7 mil flores
Ambas muito idênticas por competirem entre si

Desde muito cedo, cada uma sabia a sua missão no vale
A morte de cada flor era diferente uma da outra
Pois, enquanto umas abriam suas pétalas durante o dia
Outras morriam perante a noite

Estava traçado o fim de uma flor
Mas, diferente das outras ela não chorou
E antes de morrer, perante a morte indagou:
"É justo tirar a vida de uma flor que não conheceu o amor ?"

E surpreendida com a audácia da flor
A morte respondeu:
"Te darei a chance de conhecer o amor, mas em troca, me darás sua dor".

E assim a morte a levou até o deserto
E a deixou

A flor procurou e procurou por séculos mas,não encontrou
E preenchida pela loucura e dor em um cacto se transformou

E diante o vazio ela gritou:
"Eu prefiro a morte do que ser essa aberração!"

Da areia do caos a morte ressurge provida de suas palavras
E suspira em tom calmo e sucinto:

"Do amor nasce a loucura 
E loucos se tornam aqueles que não sabem lidar com ela".

Mal sabia a flor que o amor na qual tanto procurava
Estava esperando ela, antes de morrer
E por querer conhecer tanto o amor
Não percebeu o quanto foi amada

Há caminhos que exigem mudanças em nossos desertos
Mas mudar nem sempre é a solução
É uma consequência

E assim como a flor ainda procuramos
E assim como a flor nos perdemos
E assim como a flor nos rebelamos


Trilha sonora para ler a prosa:Dead Boy's Poem - Nightwish










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